História Movimentos Essenciais

Movimentos Essenciais já existia antes de mesmo de ter uma expressão para nomeá-lo.
É permeado pela história de vida de sua criadora, Claudia Boatti, e segue tomando forma.


Tocar e ser tocada pela vida em profundidade

As crises foram oportunidades para Claudia dizer sim à riqueza das situações da sua vida e focar na própria tarefa. A bússola de encontro para o próprio caminho foi a meditação. Apesar de ser de uma família católica; apesar de poucos conhecerem a visão oriental da espiritualidade na época; apesar de nenhum fator externo a influenciar na descoberta espiritual, ela era familiarizada com a prática meditativa desde os 18 anos. Esses “apesar de” nutriram em Claudia uma observação aguçada da vida que possibilitou a percepção de novos caminhos. 


Quando te abres, o Universo te guia

Um bom olhar ao encontro de dois mundos, empreendedorismo e espiritualidade: no auge da carreira, enquanto diretora e editora, Claudia decidiu vender a revista de decoração e arquitetura que tinha criado ao lado de uma sócia. “Uma voz como se fosse a minha, porém ampliada, falou: vende tudo!”, conta ela. A compreensão sobre a venda foi uma das “provas” mais importantes. Ela sabia que tinha que fazer, mesmo com a sensação de estar “sem chão”. Aí começou outra etapa na sua própria vida. E riquíssima.


Transformar impedimentos em recursos

Encontros com o Pathwork, de Eva Pierrakos, com as Constelações, de Bert Hellinger e com as ideias de Paulo Freire, foram pontos de partida  para que as crises se tornassem em faróis para Claudia transformar dificuldades em recursos e focar na própria tarefa. Ela sentiu o chamado para estudar Pathwork em meio a uma separação conjugal. Não somente realizou essa formação no Brasil, como também a levou para a Argentina, onde começou a ensiná-la. Assim também foi com as Constelações. Tornou-se professora do Centro Bert Hellinger da Argentina, hoje Centro Latino-americano de Constelações Familiares e Organizacionais. Sempre que ensinava Pathwork, as pessoas pediam algo mais: que compartilhasse seus conhecimentos sobre as Constelações. E vice-versa. 


Grupo Integrando

Pouco a pouco, a base dos Movimentos Essenciais nascia. Claudia criou o grupo de estudos “Integrando”. O convite era para que, em dois anos, os participantes pudessem perceber a riqueza dos saberes que começava a emergir. E assim seguiu...


Palestra “Por que não a mim?”

A crise gerada com a situação do filho também trouxe outra “pérola”. Tomada por aquilo que vivenciava, realizou a palestra “E por que não a mim?”, durante o Congresso de Pedagogia Sistêmica na Universidade Multicultural CUDEC, no México, em 2013. Nela Cláudia fazia um convite a experimentar a vida como “uma força benigna” e indicava formas de se abrir para a riqueza contida nas situações difíceis vivenciadas. 

Os oprimidos não são sujeitos a serem resgatados. Eles mesmos têm que se autodeterminar e resgatar a si mesmos. Na mão do opressor não podem descansar ambos, o poder de oprimir e de libertar.  (Ideias da visão social de Opressores e Oprimidos, de Paulo Freire). Contatar com essa ideia de Paulo Freire foi o despertar para Claudia perceber que já trazia em si todas as ferramentas para colocá-la em prática. Compreendeu que precisava levar Movimentos Essenciais para as pessoas que trabalham com os setores deixados de lado pela sociedade. Ainda surpresa com a aceitação dos envolvidos, compartilhou esse entendimento com as pessoas do grupo Integrando. Surgiu, então, o convite de levar Movimentos Essenciais para a Secretaria de Infância, Adolescência e Família, em San Isidro, na Argentina.


Secretaria de Infância, Adolescência e Família, de San Izidro, na Argentina.

O encontro de duas realidades opostas: o diretor da Secretaria e Claudia Boatti. Gerações e visões diferentes. Embora tudo levasse a crer que não haveria compreensão dos Movimentos Essenciais, o diretor que a recebeu na Secretaria abriu as portas para a capacitação, que foi declarada de interesse municipal por Decreto pela Prefeitura de San Isidro durante quatro anos consecutivos.


Benção do Papa Francisco

Antes mesmo de ter o porquê claro, Claudia já sabia que tinha que encontrar Irene Acero, colega do Centro Bert Hellinger e professora de Pedagogia Sistêmica. O propósito ficou claro após reunião na Secretaria de Infância, Adolescência e Família em San Isidro, quando convidou Irene para realizar a formação em Movimentos Essenciais para, no seu tempo,  levar esse saber para a área da Educação. No caminho ao encontro com ela, em um táxi, uma surpresa: buzinas e gritaria. Era a primeira benção do Papa Francisco recém-eleito. 

Em meio ao trânsito, com sinal vermelho, atendendo ao convite do Papa, Claudia e o motorista abençoaram o Pontífice. Segundo sinal vermelho e um novo convite: receber as bênçãos do primeiro Papa latino-americano e jesuíta eleito na história. Silêncio e um sim compartilhado. Claudia e o motorista receberam as bênçãos do Papa Francisco. Assim, a caminho do encontro com Irene, já germinava a semente abençoada dos Movimentos Essenciais. Claudia passou, então, a compartilhar seus saberes com Irene Acero e Flavia Valjiusti. 

Uma atuava no universo da Educação e a outra na área da Justiça.  Ambas acompanhavam a prática dos Movimentos Essenciais, na Secretaria da Infância e Adolescência, para que, no seu tempo, pudessem levar este saber para suas áreas de atuação. Nesse processo, Irene e Flávia identificaram pontos convergentes entre os Movimentos Essenciais e saberes da Física Quântica, da Fenomenologia, da visão  sistêmica, entre outros.


Aprendizado vivo

Muito do que hoje são Movimentos Essenciais surgiu do aprendizado nas comunidades em situação de vulnerabilidade, em Buenos Aires, para onde Claudia levou a Capacitação. Praticava Movimentos Essenciais tanto com grupo de pessoas que moravam nestes locais, como com grupo de pessoas que lá trabalhavam, inclusive, com as próprias pessoas em situação de vulnerabilidade.


Iniciam os “Movimentos Sistêmicos”, em Salvador

Em 2014, Fatima Macedo, colega de Cláudia em diversas formações e organizadora atual das capacitações em Movimentos Essenciais em Salvador, convidou-a a levar os  “Movimentos Sistêmicos” — que posteriormente, ao abrir-se um público maior, passou a se chamar Movimentos Essenciais — para professores de Pathwork, em Salvador, no Brasil. Assim uma integrante da primeira turma de Pathwork no Brasil ensinou algo do seu próprio saber para suas colegas de formação.


1º módulo de Movimentos Essenciais, no GEDEM, Ministério Público, em Salvador

A primeira capacitação em Movimentos Essenciais no Brasil aconteceu para o Grupo de Atuação em Defesa da Mulher – Gedem - do Ministério Público, setor que trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade. Era exatamente o público para o qual Claudia acreditava se destinar a Capacitação. Ao acompanhar o processo, Fátima Macedo compreendeu que esta deveria ser uma capacitação para todos. Todos os que se sentissem chamados a criar “o novo”, enquanto agentes de transformação social, independente de idade, cultura e saberes.


Em meio a sincronias e bênçãos, germinou, brotou e segue florescendo.

2015

O chamado de pessoas em aprender  Movimentos Essenciais, manifestado pela grande procura pelas capacitações, sempre foi um farol para sua expansão: de Salvador para Florianópolis, a pedido de Patrícia Cobra Vivas, e daí para Fortaleza, por intermédio de Fatima Macedo. Claudia Boatti começa então a viajar, levando Movimentos Essenciais - à época, ainda em formato de Workshop, com cinco módulos de três dias cada. No entanto, a expansão sustentável dos Movimentos Essenciais no Brasil pediu uma reorganização no seu formato. Nascia a capacitação como a conhecemos hoje: três módulos com quatro dias cada.


2016

Foi durante o primeiro ano dos Movimentos Essenciais no novo formato que Claudia Boatti assumiu o compromisso de levar a capacitação para diferentes Instituições a cada módulo que conduzia. Em Salvador, trabalhou com a Prefeitura no bairro de Itapuã.


2017

Mais três capitais brasileiras se abrem para receber Movimentos Essenciais: Belém, Porto Alegre e São Paulo. Agentes penitenciários de Belém e São Paulo começaram a ser capacitados para uma nova forma de estar e atuar na vida. Em Florianópolis, pessoas que trabalhavam para comunidades indígenas também participaram dos Movimentos Essenciais. Professores de escolas e de universidades também estavam presentes. Nesse ano Cláudia começou a reunir os que estavam interessados para se encontrarem após cada módulo, no que ela denominou “Formação Ampliada”, com o objetivo de aprofundar a capacitação para levar o aprendizado adiante. Em dezembro de 2017, um novo passo: em Atibaia, São Paulo, Claudia Boatti reuniu em um encontro de capacitação aqueles que seriam os novos professores de Movimentos Essenciais.


2018 

Mais três capitais brasileiras se abrem para receber Movimentos Essenciais: Rio de Janeiro, Brasília e Caxias do Sul (RS), na Universidade Caxias do Sul. Como Curso de extensão. Movimentos Essenciais expande para as áreas de Educação, Justiça e Segurança Pública. Alunos e professores; juízes e servidores públicos; agentes penitenciários e diretores de presídios sendo capacitados para uma nova maneira de estar e atuar na vida. Em todo o Brasil, participantes dos módulos se abrem para que novos professores levem os Movimentos Essenciais. Já não é mais só Claudia Boatti. Trata-se da riqueza dos Movimentos Essenciais traduzida por pessoas que participaram das capacitações. Brotam novas sementes. Movimentos Essenciais é para todos. Todos aprenderem e, ao seu tempo, ensinarem. A cada módulo surgem novos contornos e novas compreensões e assim Movimentos Essenciais segue sendo construído e sendo acolhido pelos que sentem o chamado de criar uma nova forma de estar na vida.